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Exemplo de superdotação

Criança acaba com sede de 823.000 pessoas na África

Ryan Hreljac, canadense, tinha apenas 6 anos quando decidiu participar da organização do mundo em que vivemos. Se ele podia ter água potável abrindo uma pequena torneira, porque do outro lado do planeta pessoas não podiam fazer o mesmo? Com esta lógica avassaladora, nasceu de suas mãos o projeto Ryan’s Well, a empresa mais fascinante que uma criança de sua idade já criou. Foi tal o empenho que hoje, com só 23 anos, preside uma das maiores ONGs para implantação de modelos de desenvolvimento contra a crise da água. Até agora ele levou água limpa para 823.238 pessoas.

Ryan HreljacO que converte esta história em um exemplo para todos é a precocidade, o empenho e a perseverança de uma criança de apenas 6 anos por impor suas frias e racionais convicções. O magnetismo de suas ações contagiou milhares de empresas e pessoas maiores que ele, talvez humilhadas com comparação objetiva de seus atos. Tudo isso ocorreu através do que Ryan descreve como o "Efeito Onda". Que o sonho de uma criança por ter "água potável para todos" se converta pouco a pouco em realidade!

A História

Ryan HreljacNum dia do inesquecível inverno de 1998, em Kemptville (Ontario) cidade natal de Ryan, a professora do Colégio St. Michael, Nancy Prest, estava dando uma pequena aula sobre as condições de saúde dos estudantes viviam na África e tinham a mesma idade de Ryan. Perguntou aos seus alunos se sabiam qual era a primeira causa de morte entre seus colegas africanos. Todas as crianças, convencidas que era a falta de alimentos, se surpreenderam ao saber que era a falta de água potável que dizimava as populações daquele continente.

Ryan Hreljac estranhou muito o motivo da falta de água limpa e perguntou para a professora quanto custava um poço. A senhora Prest, desconcertada, disse um valor que tinha lido em algum documento: 70 dólares por uma bomba extratora. Neste mesmo dia, ao chegar em casa, Ryan pediu a sua mãe o dinheiro para construir um poço (mesmo tendo apenas 6 anos!).

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Susan, a primeira pessoa que entrou no "Efeito Onda", incrédula com a inquietude de seu filho, acabou por ignorar o pedido. Mas Ryan insistiu durante toda a semana sobre o dinheiro e inclusive propôs realizar tarefas domésticas durante todo um ano para ganhar a possibilidade de dedidir o que fazer com seu primeiro "salário".

"Não entendes mamãe" disse com lágrimas nos olhos, "as crianças estão morrendo simplesmente por não ter água limpa!"

Sua mãe então aceitou a proposta, mesmo sabendo da inconstância de uma criança de sua idade. Ryan tirou o pó, limpou janelas e com muita determinação, trabalhou pacientemente guardando cada moeda dentro de uma lata velha de biscoitos. Sua mãe, cumplice do jogo e não do propósito, acabou por lhe antecipar o dinheiro ganho nas tarefas. Seus 2 irmãos inicialmente participaram do projeto, mas logo desistiram. Ryan fez todas as tarefas que sua baixa estatura lhe permitiam desde janeiro de 1998 até o final de abril.

Quando Ryan juntou os 70 dólares, Susan acompanhou seu filho ao escritório da Watercan (instituição que se dedica à criação de poços de água em África) para entrega do dinheiro. A diretora executiva Nicole Bosley explicou à engravatada criança que com 70 dólares somente se pode adquirir uma bomba de mão. Para perfurar um poço eram necessários 2.000 dólares, ao que Ryan respondeu:

Terei que fazer mais que tarefas então?

Nicole Bosley, nossa segunda cativada pelo "Efeito Onda", convenceu seus superiores e a Agência de Desenvolvimento Internacional do Canadá para pagar parte do valor do poço de Ryan, o que lhe deixava uma cifra de 700 dólares de trabalho na casa dos Hreljac, uma familia de classe média-baixa e com recursos econômicos limitados.

Imediatamente o "Efeito Onda" se alastrou pela comunidade e vizinhança de Ryan, que não demorou em coletar o dinheiro suficiente para o seu primeiro poço. A Watercan concedeu uma entrevista a Ryan com Gizaw Shibru, o diretor de todos os programas em Uganda. Ambos elegeram a escola de Angolo, em Otwal, como o destino do poço. É uma localidade ao norte do país castigada pela AIDs e pela seca, onde 1 de cada 5 crianças morriam antes de cumprir os 6 anos.

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Mas a ambição de Ryan não ficou a espera das iniciativas adultas. Quando soube que os poços eram perfurados a mão, transformou sua obsessão em uma nova onda cativante em busca de 25.000 dólares, o que custava uma perfuradora portátil. Sua mãe, entre o orgulho e o apoio ao filho, através de Puddicombe Derek, um amigo jornalista, conseguiu uma entrevista no jornal “Ottawa Citizen” que depois virou um documentário para a televisão. O material provocou a chegada de cartas e doações de todo o país. Ao mesmo tempo, a professora Nancy iniciava troca de cartas com os alunos da escola de Uganda.

Carta de Akana Jimmy, uma criança ugandesa que havia escapado das garras dos exércitos de crianças e lutava cada dia para poder ir à escola: Querido Ryan, me chamo Akana Jimmy. Tenho 8 anos. Adoro o futebol. Nossa casa está feita de folhas. Como são nos Estado Unidos da América? De seu amigo, Akana Jimmy.

A resposta de Ryan:

Querido Jimmy, deve ser fantástico ter uma casa feita de folhas. Tenho 8 anos. Bebes água de meu poço todos os dias? Qual é tua matéria preferida na escola? Irei a Uganda quando tenha 12 anos. Minha casa é feita de tijolo. Me escreve logo. De seu amigo, Ryan.

Ryan e o amigo Jimy, em UgandaA carta continha uma fotografia de Jimmy. Um estudante com uma história também cativante que conseguiu escapar das garras do Exército de Resistência do Senhor, o LRA. Durante semanas Ryan adotou como sua a imagem de seu novo amigo. Se perguntava "poderia me reunir com ele?". Susan e seu marido pensavam que, algum dia, poderiam se permitir fazer esta viagem. Talvez quando Ryan fizesse 12 anos. Mas Ryan não podia esperar tanto. Logo, o efeito da seguinte onda trouxe um rico executivo do bairro que doou aos Hreljac seus pontos em companhias aéreas, o que permitiu a Ryan viajar para conhecer seu novo amigo.

No mês de julho de 2000 Ryan chegou a cidade de Otwal acompanhado de seus pais. Foi recepcionado por 5.000 crianças que cantavam seu nome.

"Sabem meu nome!?" disse assombrado. "Todos os que vivem a 100 km sabem seu nome Ryan" disse Gizaw Shibru.

Ao final do corredor humano lhe esperava o amigo Jimmy, que segurou a mão de Ryan e o levou ao "seu" poço para que pudesse cortar a fita.

Chegada de Ryan em Otwal, Uganda

Chegada de Ryan em Otwal, Uganda

Ryan inaugurava o primeiro dos 868 poços em dezenas de países (fundamentalmente na África) foram perfurados com o investimento de sua ONG, a Ryan's Well Fundation, até a presente data.

Perfuração automática do poço na escola de Angolo, Otwal, Uganda

Perfuração automática do poço na escola de Angolo, Otwal, Uganda

Ryan em África

Ryan em África

O Futuro

Esta bonita história foi projetada nos sonhos de uma criança e consolidada nas inquietudes de um adolescente. Ryan não parou desde aquela manhã de janeiro de 1998. Sua façanha, que reside na constante vontade de levar um bem primário para todos os cantos do mundo, conduziu sua fundação para a arrecadação de vários milhões de dólares.

Sua ONG também trabalha para proporcionar educação em mais de 30 países e de ensinar aos nativos a cuidar dos poços e da água.

Ryan adolescente perfurando poços em África

Ryan adolescente perfurando poços em África

A coleção de prêmios e méritos de Ryan é enorme. Além disto, Ryan particiou de conferências internacionais, a exemplo do Fórum Mundial da Águra realizado em Kyoto em março de 2003, com apenas 12 anos!

Ryan Hreljac em apresentação pela Ryan's Well Fundation

Ryan Hreljac em apresentação pela Ryan's Well Fundation

Não deixe de conhecer a instituição fundada por Ryan, a Ryan's Well Fundation!

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Publicado em 27/09/2014

Fonte: Kurioso

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