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Contribuições de Jean Piaget à Metacognição

Segundo Fernandes e Magalhães (2002, p.2) Piaget pode ser considerado “o marco fundamental do conceito de metacognição, embora o seu enfoque se ativesse mais às possibilidades do pensamento formal em detrimento da capacidade cognitiva genérica”. Metacognição é a ação de pensar sobre o modo de funcionamento dos próximos pensamentos.

Segundo Wadsworth (1997) Jean Piaget criou uma teoria sobre o desenvolvimento da inteligência a partir de seu interesse no desenvolvimento intelectual das crianças sendo considerado por si mesmo como um epistemólogo genético, dedicado à explicação de como o conhecimento é adquirido.

Jean Piaget

Esquema cognitivo

Assim, o conceito de esquema foi introduzido por Piaget como um constructo hipotético da mente ou uma estrutura através da qual os sujeitos se adaptam ao meio que os rodeia e o organizam e modificam. Os esquemas são à mente o que as estruturas biológicas ao corpo (os mecanismos biológicos, órgãos, tecidos, células, moléculas).

Os esquemas se adaptam, se modificam e refinam com o desenvolvimento mental do indivíduo. No nascimento os esquemas são de natureza reflexa e não de natureza estritamente mental, vinculados aos reflexos motores inatos como sugar.

Neste sentido, os esquemas reflexos do bebê se modificam e transformam formando os primeiros esquemas na criança, esquemas sensório-motores que com o tempo se desenvolvem dando lugar aos esquemas cognitivos no adulto e os processos pelos que mudam são a assimilação (dados novos perceptuais, motores ou conceituais incorporam-se aos esquemas já existentes) e a acomodação (é a criação de novo esquema ou a modificação do esquema que existe para poder incorporar um novo dado).

Equilibração

Já a equilibração, segundo Wadsworth (1997, p.16-24) é um processo auto-regulador e permite que a nova percepção ou experiência seja incorporada aos esquemas que são as estruturas internas após o desequilíbrio vivenciado por ter contato com esta nova percepção, e se usa da assimilação e acomodação para chegar ao equilíbrio ou balaço cognitivo. Assim ocorre a equilibração e a regulação do desenvolvimento cognitivo.

Este conceito, a equilibração, por sua natureza auto-reguladora é considerado o um precursor do que hoje se entende por metacognição, já que é de natureza eminentemente metacognitiva (FERNANDES, MAGALHÃES, 2002, p.2).

Pensamento formal

Por outro lado, o pensamento formal também é considerado de natureza metacognitiva já que dispensa a experiência direta para operar, e a partir do domínio da linguagem pode fazer hipóteses, o pensamento característico é hipotético-dedutivo, abstrato e reflexivo. Este tipo de pensamento “é característico do raciocínio científico-indutivo”. A reflexão é uma característica da metacognição, e o nível de abstração necessário para o conhecimento e avaliação metacognitiva somente se encontra no pensamento operatório–formal (FERNANDES, MAGALHÃES, 2002, p.3).

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Pensamento operatório formal

O pensamento operatório formal tem início aos 11 ou 12 anos de idade, na pré-adolescência, momento onde a metacognição se desenvolve mais marcadamente. A abstração reflexiva entendida como “pensamento interno ou reflexão baseada no conhecimento disponível” pode resultar em um novo conhecimento (WADSWORTH, 1997, p.133).

Tomada de consciência

Outro conceito relacionado com metacognição segundo Piaget (apud CARDOSO, 2003, p.30) é a tomada de consciência ou a internalização dos mecanismos íntimos da própria ação na interação ativa entre sujeito e objeto na construção do conhecimento. Segundo Cardoso (2003, p.33), quando o indivíduo chega aos 11 ou 12 anos de idade, e desenvolve a abstração refletida, a tomada de consciência começa a se manifestar também como uma reflexão do pensamento sobre si mesmo.

Bibliografia:

1. CARDOSO, Tamara Adré. O Desenvolvimento da Escrita Segundo Vigotski: Possibilidades e Limites de Apropriação pelo Livro Didático. Curitiba, 2007. 154f. Dissertação de Mestrado (Programa de Pós-graduação em Educação), Universidade Federal do Paraná.
2. FERNANDES, Maria de Lourdes C. N.; MAGALHÃES, S. M. da C. Metacognição, uma Abordagem Histórica. Anais Semana Universitária UECE, 2002.
3. WADSWORTH, Barry J. Inteligência e Afetividade da Criança na Teoria de Piaget. 5 ed. São Paulo: Pioneira Thomsom Learning, 1997.

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Publicado em 16/04/2015

Autoria: Silvia Muradás

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